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Perfil da mulher investidora no mercado financeiro está mudando, diz especialista

7 de março de 2019

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Embora ainda sejam minoria no mercado financeiro, pesquisas recentes apontam que as mulheres ganham mais na Bolsa de Valores do que os homens

 

As mulheres avançam em várias áreas do mercado de trabalho e do conhecimento, mas ainda são minoria no mercado financeiro, embora invistam mais do que em épocas anteriores. Para o sócio-proprietário da Goldrock Investimentos em Curitiba, Paulo Trauchinski, a questão é cultural, mas está mudando. “Os dados do IBGE mostram que mais de um quarto dos domicílios brasileiros está sob o comando exclusivo das mulheres e recorrer a investimentos financeiros para incrementar a renda da família pode ser uma boa saída para elas também”, avalia.

Dados recentes do Tesouro brasileiro mostram que apenas 25,2% investem em Tesouro Direto, e na Bolsa de Valores – a B3 – esses números caem para 11,08%. No entanto, em 2002, a presença feminina era menor no Tesouro Direto e contava com 7,6% das mulheres. No final de 2016, o Tesouro computou 271,5 mil mulheres cadastradas contra 854,7 mil homens. Trauchinski acredita também que o fato de as mulheres ganharem menos que os homens, faz com que elas tenham um orçamento menor para investir no mercado financeiro.

Perfil

Na avaliação do sócio-proprietário da Goldrock Investimentos, a mulher brasileira é mais conservadora do que os homens quando investe no mercado financeiro e opta por investimentos de baixo risco. Mas, em contrapartida, ele cita uma pesquisa com investidores não profissionais, apontando que as mulheres costumam ganhar mais na Bolsa de Valores do que os homens. “Isso acontece porque os homens têm o hábito de fazer giro nas carteiras devido ao seu excesso de confiança, gerando alto custos de corretagem; já a mulher é mais prudente”, afirma Trauchinski.

Na Goldrock Investimentos, o perfil das mulheres investidoras é bem diversificado e vai desde ao conservador até ao mais arrojado. “Como o mercado financeiro é como uma escola, à medida que o conhecimento das mulheres vai aumentando, elas se sentem mais seguras para buscar investimentos mais sofisticados e rentáveis”, diz Trauchinski. É o caso da proprietária da Clínica Cefit, a fisioterapeuta Michelle Azolin, 40 anos, que começou a investir seu dinheiro no mercado financeiro no ano passado com um perfil conservador e hoje é mais arrojada em suas aplicações. Investe hoje em dez carteiras com saldos conservador, médio e arrojado.

Michelle conta que deixou por muito tempo seu dinheiro parado em poupança e começou a buscar informações sobre rentabilidade. Pesquisou muito, ficou mais confiante e procurou uma corretora. “No Brasil, o investimento em mercado financeiro é baixo por uma questão de cultura. Nós temos medo de perder dinheiro, porque nossa política no passado não era muito segura. Ainda dá medo porque não sou do ramo, mas a com ajuda profissional e estou ficando cada vez mais confiante”, sentencia Michelle.

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