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Maiores de 50 redescobrem a graça da sala de aula

19 de Abril de 2017

guilherme pupo

O engenheiro aposentado Luiz Antonio Manoel na aula da Tea Time – Inglês para Maiores

Escola de inglês com proposta inédita no Brasil para público de mais de 50 anos reúne alunos dedicados e focados em fazer amizades, desenvolver habilidades e viajar

 

Foi-se o tempo em que chegar aos 50 era o começo da velhice.  As pessoas desta faixa etária cada vez mais pensam em aproveitar a vida, viajar e seguir aprendendo coisas novas. Há 30 anos o conceito da “meia-idade” começou a enfraquecer e, atualmente, pesquisas mostram um fenômeno interessante. A perspectiva de longevidade aumentou a juventude e postergou a velhice.

Um estudo realizado pelas norte-americanas Milena Nikolova e Carol Graham, da Brookinks Institution, publicado em 2014 na IZA Journal of European Labor Studies, comprovou que a felicidade chega aos 50 anos, desde que as pessoas estejam razoavelmente saudáveis, ajustadas à idade e em relacionamentos estáveis. Outra pesquisa feita com duas mil pessoas e publicada em 2013 pela empresa de assistência médica britânica Benenden Health, aponta que a “meia-idade” começa aos 53. A pesquisa relacionava comportamentos desta fase como preferir uma noite com amigos a uma balada, gastar mais dinheiro com cremes anti-idade e preferir fazer uma caminhada em dia de domingo em vez de passar mais tempo na cama.

Os avanços nas áreas da saúde, costumes e conforto, garantem às novas gerações de cinquentões, uma fase de grande vitalidade. Viagens, estudos, esportes, intercâmbios no exterior, novos amores e novos casamentos estão entre as prioridades da maioria destas pessoas. Um bom apanhado de jovens senhores com este perfil faz parte do rol de alunos da Tea Time – Inglês para Maiores.

A escola de idiomas com duas sedes em Curitiba tem como proposta atender alunos maduros e oferecer aulas interessantes, num ambiente descontraído e agradável. A sócia-proprietária da Tea Time Renata Gardiano convive com o público e conta que, os mais de 120 alunos, em sua grande maioria, têm a perspectiva de ampliar a rede de amizades, viajar de forma autônoma e exercitar o cérebro. “Já sem filhos pequenos e obrigações de trabalho, o curso de inglês acaba sendo um projeto de vida. Muitas vezes estão realizando um sonho antigo de falar inglês, fazendo ginástica mental ou se preparando para uma próxima viagem”, conta a empresária.  “O que os alunos têm em comum são as boas histórias vividas, 100% de motivação para estudar inglês conosco, coragem e muita alegria de viver”, diz Renata.

O engenheiro civil aposentado e empresário Luiz Antonio Manoel, 66 anos, veio para a Tea Time trazido pela esposa Marcela, há cerca de dois anos. Ela acabou saindo do curso e ele ficou. Manoel faz inglês para facilitar as suas viagens internacionais, duas por ano, com a esposa. A última foi para a região de Provence, na França. Os dois filhos cresceram e agora a diversão do casal é viajar, apesar de ainda fazer trabalhos na área de engenharia civil num ritmo mais lento e colaborar na administração de um brechó da esposa. Na Tea Time, o casal formou um novo círculo de amigos que extrapola a sala de aula em encontros sociais. Manoel ainda faz caminhadas e tem hobbies como jardinagem e cozinha.

Ao aposentar-se, a designer de interiores Celeste Seixas, 57 anos, decidiu curtir a neta de seis anos. Há três anos é aluna da Tea Time com o objetivo de ter mais autonomia em viagens ao exterior, que realiza pelo menos uma vez por ano. Mesmo quando foi à Itália, sua última viagem, o inglês foi fundamental. “É uma língua que todo mundo fala”, afirma.  Na Tea Time, Celeste reencontrou e fez muitas amigas que se encontram também fora da sala de aula. “É um lugar agradável em que convivemos com pessoas da mesma idade, geração e da mesma fase de vida”, elogia. Celeste também se encaixa bem nesse novo perfil. Pedala todos os fins de semana com o marido e amigos e faz aula de Disco Dance duas vezes por semana. “Curto muito a fase atual da vida. Muitas coisas que dava importância, hoje em dia já não me importam mais. Acho que aproveito melhor a vida com um outro olhar mais maduro”, conclui.

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