Cultura

Live aborda perspectivas para produtores executivos de cinema, em tempos de quarentena

Pinterest LinkedIn Tumblr

Promovido pela Fundação do Livro e Leitura, bate-papo descontraído reuniu os produtores, Camilo Cavalcanti e Viviane Mendonça, nesta sexta-feira (15), às 10h, pelo Instagram

Ribeirão Preto (SP), 14 de maio de 2020 – Para quem gosta de cinema, uma dica interessante é conhecer os bastidores de como se produz um filme ou uma série antes de chegar nas telonas ou na TV. Mas, para completar o conhecimento sobre a criação de um roteiro, as filmagens, a edição de uma cena e o resultado final nas telas, vale compreender um pouco mais do que fica por trás das câmeras, das  luzes e de toda ação desta, que é considerada a grande arte. Já imaginou cuidar de cada detalhe para que, quando os atores entrem em cena, tudo flua de forma perfeita? Esse é o papel de um produtor executivo de qualquer projeto cinematrográfico. Para debater o tema, a Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto promoveu nesta sexta-feira (15/5), às 10h, a live “Produção Audiovisual: Ficção X Documentário” com dois nomes expressivos do cenário nacional:  o produtor Camilo Cavalcanti e a produtora cultural Viviane Mendonça. O bate-papo entre os dois foi transmitido pelo Instagram da instituição, responsável pela agenda do projeto 40tenal cultural.
Camilo e Viviane trabalharam juntos na produção executiva do longa-metragem “A Vida Invisível” de Karim Aïnouz, filme ganhador da Mostra “Un Certain Regard” do Festival de Cannes 2019 e indicado para representar o Brasil no Oscar 2020 e também fizeram a produção executiva da série documental “Em busca de Anselmo” – da HBO com co-produção da Clariô Filmes.
A produção destes dois trabalhos foi o foco da live, bem como as diferenças de se produzir ficção e documentário. O bate-papo descontraído da live abordou cinema, vida em tempos de quarentena, distanciamento e isolamento sociais, perspectivas e alternativas para produtores culturais e para o cinema como um todo, possíveis soluções pós covid-19 e outros assuntos.
Para Viviane Mendonça, a questão da produção cinematográfica ficou muito comprometida com a pandemia, porque é impossível neste contexto reunir várias pessoas para realizarem uma filmagem e também pelo fato de que não está sendo permitido qualquer produção, conforme decretos governamentais e orientações da OMS. “Eu tive conhecimento de filmes que já tinham sido anunciados, mas tiveram suas filmagens canceladas”, afirma a produtora.
Ela revela que tem percebido muitos profissionais se movimentando durante a quarentena. “Alguns diretores e pessoas do meio estão discutindo como fazer para continuar produzindo. Por exemplo, comerciais que foram veiculados recentemente já foram feitos dentro desta nova lógica: de se filmar e dirigir remotamente, trabalhando com soluções para se vencer o momento”. Outra análise da produtora cultural é que a atitude foi necessária, para que, de fato, as soluções não parem e sejam reinventadas. “Muitas alternativas, principalmente na área publicitária, ficaram fora de contexto com a chegada da pandemia”, complementa.
Quanto à produção executiva, os dois produtores sinalizam desafios para a efetivação dos projetos cinematográficos. Para Camilo Cavalcanti, este é o momento mais desafiador que ele já passou tanto do ponto de vista pessoal como profissional.  “Eu sempre fui muito dos contatos, do toque, dos afetos, dos encontros. Meu maior trunfo como produtor é promover os encontros de pessoas, de assuntos, de projetos e tudo isso sempre em contato com gente”.
Em isolamento no Rio de Janeiro, ele conta como tem procurado se adaptar a essa nova rotina e relata que já teve horas de zero capacidade criativa, outras de bloqueio, mas optou por estudar desde o início da pandemia. “Passei a revisitar muitos projetos, a assistir mais filmes num processo de estudo intenso, decupando e vendo novas produções. E isso me deu uma oxigenada, porque tenho conseguido criar, recriar, conduzir algumas reuniões e voltar a produzir de novo”.
Ter contato com outras pessoas, mesmo que à distância (pela internet ou telefone), por aplicativos para grupos e até participando de algumas lives também tem sido alternativas que Camilo Cavalcanti adotou com mais frequência nestes dias de pandemia.  “Tenho procurado me organizar para sempre tentar fazer uma coisa nova ou algo que goste. A busca por essa conduta tem me ajudado a enfrentar o isolamento social”.
Os dois produtores concordam que o momento é bem delicado para o cenário brasileiro no que se refere a verbas e às normatizações da Ancine. Viviane acredita que, o setor terá ainda mais desafios na hora de levantar  projetos e pode se deparar com uma demanda e uma oferta bem amplas. Ela  também está à frente da superintendência da Fil (Feira Internacional do Livro) e acredita que muitos projetos cinematográficos que, vinham sendo feitos e estão parados e, outros em andamento, terão que ser repensados e replanejados. “A minha expectativa é que teremos muitos projetos para serem feitos, financiados, mas dentro do Brasil temos poucos parceiros e um número limitado de players para serem acessados. Tudo ainda se configura para tomarmos decisões estratégicas”.
A produtora cultural comenta que está trabalhando num ritmo acelerado na quarentena, mas procurando ter mais critério, análises e contando com cooperação de suas equipes. “Estamos tentando soluções e alternativas para os projetos que, de alguma forma, estou envolvida. Mas também tem feito coisas que são importantes como: estabelecer uma rotina, fazer uma atividade física, ler e estudar mais e aproveitar para olhar para aprofundar o trabalho de autoconhecimento. “Estamos tendo uma pausa forçada, mas também é importante para organizarmos e estabelecermos prioridades da vida”, destaca.
Sobre o mercado de cinema durante a quarentena e num pós covid-19, que ainda é um prazo incerto para todos, Camilo ressalta que muitos cenários  se vislumbram, mas alerta: “são interdependentes de fatores como financiamentos, por exemplo, que poderão abrir muitas novas portas”. Ele também diz que está buscando respostas mais assertivas sobre como poderão ser as produções neste novo contexto ou se haverá uma vacina para lidar com a pandemia, entre muitas outras medidas.
“As produções não devem ser permitidas até que se haja segurança. Para nós, produtores, fica muito difícil pensar em produções com atores sem poderem se beijar, se tocar, sem termos equipes técnicas próximas”, sinaliza Camilo. Outro ponto que acrescenta é sobre distribuição dos filmes e documentários e deixa algumas indagações: “os cinemas irão voltar,  eles farão obras, vão tirar as cadeiras, vão limitar a quantidade de gente na plateia, as pessoas vão querer ir ao cinema assim que abrirem? Para ele, são questões ainda sem respostas e ávidas por soluções de todo o mercado, mas continua com o foco de que a experiência do cinema é única e que a maior pergunta que se faz, como todos, é em quanto tempo a vida das pessoas voltará ao normal?
Sobre Camilo Cavalcanti 
É um produtor curioso e obstinado. Ele assina a produção executiva do longa-metragem “A Vida Invisível” de Karim Aïnouz, uma produção RT FEATURES, filme ganhador da Mostra “Un Certain Regard” do Festival de Cannes 2019 e indicado para representar o Brasil no Oscar 2020. Camilo produziu e coordenou projetos de séries internacionais e documentários passando por Cuba, África, Ásia e Europa, de 2010 até hoje. Em 2011, produz seu primeiro longa-metragem, o documentário “Cuba, Mucho Gusto”, direção de Caetano Curi. Em 2012, produz “Nova Africa”, uma série de 26 episódios filmados em mais de 30 países africanos sobre as perspectivas positivas do Continente Mãe.
Um ano depois, de volta ao Brasil, Camilo funda a CLARIÔ FILMES com a missão de fazer audiovisual com paixão e propósito. Em 2014, começa a filmar o primeiro longa-metragem da CLARIÔ, “Aquilo Que Sobra” – um longa-metragem totalmente colaborativo, que teve sua Premier Mundial no CPH:DOX 2018, na Dinamarca. Também em 2014, Camilo assume a Produção Executiva da LC BARRETO, uma das mais tradicionais produtoras do cinema brasileiro. Daí em diante assina, entre outros, a produção executiva de duas séries para a HBO Latin America: “Escravidão Século XXI” (LC Barreto), direção de Bruno Barreto e “Em Busca de Anselmo” (Clariô Filmes), direção de Carlos Alberto Jr, além do longa-metragem “A Mulher do Meu Marido”, de Marcelo Santiago. Pela CLARIÔ FILMES lançou, em 2019, os documentários “Skate Pelas Sombras” para o Canal OFF, e “Barretão” uma coprodução entre Movimento Filmes, Clariô, Canal Brasil e Globo Filmes. Um pouco antes de iniciar a pandemia de coronavírus no Brasil, ele estava trabalhando em seu primeiro longa-metragem, um documentário sobre o cantor, compositor e poeta Belchior, mas aguarda definições do cenário para avançar com o projeto.
Sobre Viviane Mendonça
É advogada e produtora executiva de eventos e conteúdo audiovisual para cinema e televisão. Atua na área de captação de recursos para projetos audiovisuais e sociais. Como produtora audiovisual trabalhou em parceria com grandes e pequenas produtoras (Bananeira Filmes, Filmland International, Fagulha Filmes, Miriade Filmes, Clariô Filmes, RT Features, Prodigo Films dentre outras). Iniciou sua  carreira como produtora executiva dos curta metragens “Ilha do Farol” de Mariana Kaufmman e Juliana Serfaty; e “Verde Violeta” de Rafaela Arrigoni (Festival de Tiradentes/2016 e Short Film Corner/Festival de Cannes 2016 e licenciado para o Canal Brasil) ambos da Fagulha Filmes/RJ.
Trabalha com projetos ligados à formação de público e difusão cultural. Em 2014 produziu a mostra “Jia Zhangke – A cidade em quadro” que exibiu 12 longa-metragens e seis curtas, contando com a participação do diretor.
Participou do projeto “Mate me, por favor’’ de Anita Rocha da Silveira, produzido pela Bananeira Filmes, no programa “Fabrique de Cinema du Monde”, durante o Festival de Cannes 2012.
Como  produtora executiva, participou do desenvolvimento do filme “Los Silencios”, de Beatriz Seigner, exibido em 2018 na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Em 2016, compôs a equipe de produção executiva dos longa metragens produzidos pela FilmLand “O Vendedor de Sonhos” de Jayme Monjardim e “Divórcio” dirigido por Pedro Amorim.
Já em 2017, participou do longa metragem “Pixinguinha, um homem carinhoso” de Denise Saraceni. Também em 2017 e assinando a produção executiva, realizou a série documental musical “Os Ímpares”, da diretora Isis Melo e Henrique Alqualo, exibida em 2018 pelo Canal Curta. Participou como produtora associada no longa metragem “O Homem que Parou o tempo” de Hilnando Mendes. Em parceria com Camilo Cavalcanti e a Clariô Filmes assina a produção executiva da série documental “Em Busca de Anselmo” do diretor Carlos Alberto Junior, em coprodução com a HBO, com previsão de lançamento para 2020/21 e também assina com ele, a produção executiva do filme “A Vida Invisível de Euridice Gusmão”, direção de Karim Ainouz. O filme foi produzido pela RT Features e grande vencedor da Mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2019. Em 2019, Viviane coordenou o Departamento de Cinema da Pródigo Films. Atualmente, é superintendente da Fundação do Livro e Leitura e há 10 anos, desempenha a coordenação geral da Fil – Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto, uma das maiores a céu aberto do Brasil, que está prevista para acontecer de 11 a 20 de setembro.
40tena Cultural
O projeto tem a proposta de incentivar as pessoas a ficarem em casa em função do isolamento  e distanciamento socias decretados  em combate ao coronavírus (covid-19) e conta com uma agenda semanal com atividades que vão desde lives (vídeos ao vivo em plataformas streaming) com artistas e convidados até contações de histórias para crianças, show, dicas e discussões de livros, entre outras ações.  A agenda de programação do 40tena Cultural está sendo divulgada semanalmente nas redes sociais da Fundação:
Instagram (@fundacaolivrorp)
Linkedin (fundacaolivrorp),
Twitter (@FundacaoLivroRP)
Youtube (FeiraDoLivroRibeirao)

Comentários estão fechados.