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O filme Ontem Havia Coisas Estranhas no Céu, de Bruno Risas, foi selecionado para o festival Cinéma du Réel, um dos mais tradicionais da França, sendo único representante brasileiro na mostra competitiva internacional. A equipe do filme, encabeçada pelo diretor, preparava-se para viajar a Paris para apresentar o longa quando foram surpreendidos com a informação que o festival não realizaria mais as exibições. O Cinema du Réel foi mais um dos festivais que cancelaram suas projeções devido à pandemia de Covid-19. No entanto, o evento reformulou sua programação, disponibilizando os filmes da competição através de plataformas online e manteve também as deliberações do júri.

No Brasil, Risas e sua equipe viram a pandemia chegar ao país e acompanharam de longe a recepção do filme pelo júri e pelo público francês. Na última semana, comemoraram a notícia de que o longa foi premiado pelo júri oficial como melhor primeiro longa-metragem, recebendo o prêmio Loridan Ives/CNAP, destinado a diretores estreantes com filmes de mais de 50 minutos. A ficção, que será distribuída no Brasil pela Vitrine Filmes, com estreia nacional ainda sem previsão por conta da pandemia, está em exibição na Europa francófona pela plataforma francesa Tënk, até o dia 03/04, através de parceria entre a plataforma e o festival.

Sobre a premiação, comenta Risas, “Passamos nesse instante por um movimento muito grande no mundo. Ele se manifesta com esse novo vírus que põe em evidência o mal cuidado que temos submetido a vida no planeta há séculos. Aqui no Brasil, para completar, temos um homem ocupando o lugar de líder do Estado que é um genocida descarado, alguém que deseja promover no Brasil o retorno às estruturas sociais que a Europa viveu no século XVI. É com tristeza que acompanhamos a quarentena mundial que impediu, entre outras centenas de coisas, que pudéssemos todos partilhar as exibições nas salas em Paris. Apesar de tudo, iremos também celebrar. Porque celebrar é um gesto de negação ao que se impõe: uma realidade que não contempla nossas possibilidades de perceber o mundo, de desejar o mundo”.

Produzido pela Sancho&Punta, o longa é uma ficção que pauta o cotidiano de uma família na qual inúmeros fatores são inquietantes: o pai fica desempregado, os integrantes precisam voltar à velha casa, a mãe é abduzida, e a vida continua como se nada houvesse acontecido.

Ao longo dos nove anos do processo de Ontem Havia Coisas Estranhas no Céu, minha mãe frequentemente me perguntava ‘se você pode fazer um filme sobre alguém, por que escolheu fazer sobre a gente, sobre ninguém? ’ Nunca consegui responder. Mas, talvez tenha a ver com um desejo: esmiuçar o processo de formação de nosso imaginário nesse país inventado, de encarar de frente as contradições e as violências que o formam. Para isso, fazer do cinema um ritual do cotidiano, um trabalho que coloca em questão a própria ideia de trabalho e de como nossa sociedade se organiza. E tentar descobrir como minha intimidade ressoa fraturas coletivas”, diz o diretor, que faz sua estreia em longas-metragens.

A ficção venceu dois importantes prêmios no mundo do cinema, sendo eles: melhor projeto Work in Progress, no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (2018), dentro da Mostra Futuro do Brasil, e melhor Work in Progress no PuertoLab, do Festival Internacional de Cinema de Cartagena (2019). O longa teve sua estreia mundial no Festival de Turim, na Itália, em novembro de 2019, e sua estreia nacional na última Mostra de Cinema de Tiradentes, dentro da mostra Aurora.

 

SINOPSE

Após meu pai ficar desempregado, a família toda precisou voltar à velha casa na Bresser, um antigo bairro operário de São Paulo. Minha mãe procura saídas, mas não sabe o que fazer. Minha irmã conseguiu um emprego, mas paga muito pouco. Minha avó está ficando demente. Ficam o dia todo em casa, brigam muito. As cachorras latem. Enquanto isso eu os filmo. Um estranho objeto no céu abduz minha mãe. Nossa vida continua como se nada tivesse acontecido.

 

FICHA TÉCNICA

Direção, roteiro e produção: Bruno Risas

Roteiro: Julius Marcondes, Maria Clara Escobar, Viviane Machado

Produção e produção executiva: Julia Alves e Michael Wahrmann

Direção de produção: Felipe Santo

Direção de fotografia e diretora assistente: Flora Dias

Elenco: Viviane Machado, Julius Marcondes, Iza Machado, Geny Rodrigues, Bruno Risas, Flora Dias

Montagem: João Marcos de Almeida

Desenho de som: Juruna Mallon

Som direto: Fábio Baldo e Gabriela Cunha

Música original: Juliana R.

Cartaz: Anelena Toku

Distribuidora: Vitrine Filmes

SOBRE O DIRETOR

Bruno Risas é diretor, diretor de fotografia e produtor. É co-fundador da empresa SANCHO&PUNTA. Como diretor de fotografia, trabalhou em produções relevantes da nova geração do cinema brasileiro, como “Era o Hotel Cambrigde” (Eliane Caffé), “A Rosa Azul de Novalis” (Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro) e Maria Clara Escobar. Filmes que foram exibidos em alguns dos mais importantes festivais nacionais e internacionais. Como diretor, Bruno realizou os curtas Cajamar (2013), Os Cegos (2014) e Ventanas Del Ayer (2013/2017), exibidos em vários festivais pelo Brasil.

 

SOBRE A SANCHO&PUNTA

A empresa se estabelece em São Paulo em 2016, através da parceria entre as produtoras Sancho Filmes e Punta Colorada de Cinema, com o objetivo de compartilhar uma plataforma de produção destinada à realização de projetos independentes de diretores brasileiros e internacionais. A Sancho Filmes foi criada em 2009 pelos cineastas Michael Wahrmann, Bruno Risas e Diogo Hayashi, com o intuito de desenvolver e produzir seus filmes autorais. A Punta Colorada de Cinema foi criada em 2014 pela produtora Julia Alves e a empresária Silvia Cruz, com o objetivo de desenvolver projetos brasileiros autorais e coproduções internacionais junto a realizadores promissores.

Ao aliar a experiência das duas empresas na criação, produção e distribuição de filmes independentes e à presença no mercado internacional, a SANCHO & PUNTA expande a diversidade de seus projetos e abre espaço para novos encontros cinematográficos.

 

SOBRE A VITRINE FILMES

A Vitrine Filmes já distribuiu mais de 150 filmes. Entre seus maiores sucessos estão “Aquarius”, “O Som ao Redor”, e “Bacurau” de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, longa que já alcançou mais de 750.000 espectadores, além de “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz, representante brasileiro do Oscar deste ano, “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”, de Daniel Ribeiro, e “O Filme da Minha Vida”, de Selton Mello.

Entre os documentários, a distribuidora lançou “Divinas Divas”, dirigido por Leandra Leal e “O Processo”, de Maria Augusta Ramos, que entrou para a lista dos 10 documentários mais vistos da história do cinema nacional.

Em 2020, ano em que completa 10 anos, a Vitrine Filmes já lançou “O Farol”, de Robert Eggers, indicado ao Oscar de Melhor Fotografia, “Você Não Estava Aqui”, de Ken Loach, e ainda lançará “Todos os Mortos”, de Caetano Gotardo e Marco Dutra. Os longas “Três Verões”, “Chão”, “A Febre” e “Pacarrete” serão lançados assim que superada a situação imposta pela pandemia.