Cinemaskope

A execução de Rodrigo Gularte do ponto de vista da saúde mental

28 de abril de 2015

Não deveríamos ver a dependência química e o uso e abuso de drogas de outra forma no mundo ocidental? 



Rodrigo Gularte, o brasileiro condenado à morte na Indonésia, foi executado na tarde desta terça-feira, 28. Do ponto de vista da saúde mental, o que pode ter levado ele a chegar nessa situação? A condenação dele é justa. Justa do ponto de vista legal para a Indonésia. Não é por ele ser brasileiro, ou por qualquer outra circunstância, que vão alterar a legislação, que para a Indonésia é muito importante e realmente faz repressão ao tráfico de drogas no país. No entanto, ressalta Aracélis Canelada Copedê, diretora da Clínica Nova Esperança, tem uma questão que nós, que atuamos com dependência química há mais de 25 anos, não podemos deixar de considerar. 



Se Gularte não tivesse feito uso de drogas, possivelmente, não chegaria nessa situação tão drástica, pois ele foi um dependente químico, de acordo com as características. “Nós não podemos perder de vista como as substâncias psicoativas intoxicam o cérebro, principalmente nos pontos mais nobres, onde moram a autocrítica e a autopercepção”, afirma a diretora. Por esta razão, Gularte pode ter tido seu poder de decisão comprometido, intensificando assim seu envolvimento com o submundo do tráfico, seja pelas ilusões ou facilidades aparentes. 

A questão no momento dessa drástica lição é: não deveríamos ver a dependência química, o uso e abuso de drogas de outra forma no mundo ocidental? Não cabe a nós prevenirmos, mas prevenirmos realmente, para que não se chegue nessas situações? 

Frequentemente, usuários de drogas se envolvem em crimes, muito deles que não aparecem na imprensa, mas graves também, como o caso de Gularte, que pode ter tido outros comprometimentos devido ao uso de drogas, como a esquizofrenia. Isso mostra como a dependência química está relacionada a diversos problemas, como diferentes tipos de violência e outras doenças associadas. 

Atualmente, com toda a experiência que a Clínica Nova Esperança tem, constatamos que muitos pacientes recuperados, e que vivenciaram diversas situações dentro do mundo do crime, hoje reconhecem que tiveram seu poder de decisão alterado pelo uso das drogas, ou seja, o julgamento das atitudes pessoais dos indivíduos envolvidos com drogas é seriamente comprometido. É uma questão que precisa ser debatida. 



A Clínica Nova Esperança 

Desde 1989, a Clínica Nova Esperança dedica-se à reabilitação de dependentes químicos por meio de um programa de tratamento especializado que compreende a desintoxicação, a reestruturação física e emocional de seus pacientes, e a orientação familiar. Especializada no tratamento das dependências químicas e outros transtornos compulsivos, a Nova Esperança tem como princípio a valorização do ser humano, por meio da conscientização para a reintegração familiar e social. O tratamento da Clínica é baseado em um procedimento individualizado. Para a Nova Esperança, a família tem um papel fundamental na reabilitação do paciente e, por isso, recebe atenção especial. Em 25 anos de história, a Clínica Nova Esperança já atendeu mais de 5 mil pacientes em regime de internamento. 

 

Você pode gostar também