6ª Bienal de Curitiba em Brasília

23 de novembro de 2011

Levando um pouco do evento para outras regiões do Brasil, o objetivo é democratizar o acesso do público à arte contemporânea

Nos dias 24 e 25 de novembro, Brasília (DF) receberá a Mostra de Filmes de Arte da 6ª VentoSul – Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba. Na capital do Distrito Federal, a mostra será exibida no Auditório do Departamento de Artes Visuais da UnB (Universidade de Brasília), às 18h. A seleção em vídeo apresenta uma pequena amostra dentre obras escolhidas pelos curadores para os espaços expositivos da Bienal. “Esperamos levar a diferentes regiões um pouco da reflexão que foi proposta em Curitiba, sobre o conceito ‘Além da Crise’”, revela a gerente geral da Bienal, Solange Lingnau.

“Uma das prioridades do projeto da Bienal de Curitiba é a democratização no acesso do público à arte contemporânea. A Mostra de Filmes de Arte da Bienal é um importante instrumento para essa democratização. Ela permite que um recorte da Bienal de Curitiba esteja em cinemas, centros culturais e universidades de todas as regiões do país”, explica Solange.

Entre os vídeos da Mostra está “Matinee”, da artista Liliana Porter, que trabalha como se estivesse brincando com a realidade e, ao mesmo tempo, ironizando-a, sendo esta uma das mais fortes características de suas obras. O filme está estruturado em uma série de fragmentos, alguns muito breves. Os personagens são toda uma sorte de objetos inanimados, estatuetas e enfeites. A obra faz alusão a eventos e personagens que estão de alguma forma presentes na memória coletiva.

Outro destaque é a obra “Deixa eu Falar”, que Tatzu Rors criou especialmente para a Bienal de Curitiba. O artista fez uma interferência urbana no centro da capital paranaense, na qual expôs um porco assado em uma placa de trânsito, confrontando o “interno x externo”, “privado x público”.

Além de Brasília, a Mostra irá passar por Belo Horizonte (MG), Cascavel e Londrina (PR), Macapá (AP), Florianópolis (SC) e Fortaleza (CE). Em Brasília a programação da Mostra se divide em dois dias, de uma hora cada. Os filmes Matinee, Deixa eu Falar, Haciendo Mercado, de Erika Meza e Javier López; e Clockmaster, de Ali Kazma, serão exibidos no 1º dia do evento (24), e City of Production, de Laurent Gutierrez e Valérie Portefaix, encerará a Mostra, no dia 25. A entrada é gratuita.

A 6ª Bienal de Curitiba, terminou no dia 20 de novembro, mas continuará em outras cidades com ações como a Mostra de Filmes de Arte. Dessa forma, mesmo quem não pôde visitar o evento na capital paranaense, poderá apreciar um pouco do evento que reuniu obras de mais de 80 artistas de 37 países dos cinco continentes. Para acompanhar todas as novidades, acesse o site www.bienaldecuritiba.com.br.

SERVIÇO

Mostra de Filmes de Arte da 6ª Bienal de Curitiba em Brasília (DF)

Dias 24 e 25 de novembro de 2011 (quinta e sexta-feira), às 18h.

Auditório do Departamento de Artes Visuais da UnB
Campus Universitário Darcy Ribeiro – Instituto de Artes – SG1 – Asa Norte – Cep:70 844-110
Entrada franca.

FILMES

 

Matinee (2009, 20’46”)

Criação / Produção / Direção: Liliana Porter

Co-Direção: Ana Tiscornia

Música composta e executada por: Sylvia Meyer

Videografia e edição: Thomas Moore

Cortesia da artista e Galeria Ruth Benzacar, Buenos Aires

“Matinee / Matiné” está estruturado em uma série de fragmentos, alguns muito breves. Os personagens, como em obras anteriores, são toda uma sorte de objetos inanimados, estatuetas e enfeites. A obra faz alusão a eventos e personagens que estão de alguma forma presentes na memória coletiva. São fatos descontextualizados que, ao se apresentarem fora de qualquer narrativa ou argumento preciso, abrem ao espectador a possibilidade de uma relação talvez mais subjetiva com as situações apresentadas. Na sucessão de imagens convergem e convivem sentimentos opostos (comédia e tragédia, o familiar e o estranho, o literal e o metafórico). A música, de Sylvia Meyer, é um componente essencial da obra porque completa o significado e o sentido das sequências.

Haciendo Mercado (2007, 3’19”)

Roteiro / Direção: Erika Meza e Javier López

Interpretação e tradução: Daniel González

Câmera e fotografia: Christian Núñez

O vídeo de Javier López e Erika Meza apresenta – em registro paródico – um indígena fazendo uma conferência em guarani, seguindo a retórica do discurso de Philip Kotler, o guru do marketing. A situação perturba a lógica da mensagem e coloca em evidência o atrito entre os mundos distintos.

Tatzu Rors – Deixa eu falar! (2011, 10’14”)

Roteiro / Direção: Tatzu Rors

Câmera: Arnaldo Belotto

Edição: Paulo Faria

Atores: Arthur Tuoto, Orlando Anzoategui e Carlinhos Gonçalves

Tatzu Rors é o nome artístico de Tatzu Nishi, que usa vários pseudônimos como parte de sua obra. Desde os anos 90, o artista trabalha com grandes intervenções no espaço público, transformando monumentos e prédios em novos espaços, alterando sua percepção habitual. A obra “Deixa eu falar!” também se relaciona com o interesse do artista em confrontar “interno x externo”, “privado x público”.

Ali Kazma – Clockmaster (2006, 15’09”)

Direção: Ali Kazma

Cortesia do artista e Galeria Nev, Istambul

Durante todo o vídeo, um relojoeiro experiente desmonta, limpa e remonta um complexo relógio. A abertura do vídeo dá ao espectador a sensação de um drama desconfortável. A desmontagem do relógio significa o desenrolar do tempo e da ordem, antecipando sentimentos de medo da morte e do caos. A remontagem do relógio restaura o senso de ordem no mundo do espectador e alivia sentimentos de confusão e o desconforto do medo. A habilidade técnica e a precisão do relojoeiro são captadas em cada close-up, revelando que cada engrenagem e parafuso são recolocados precisamente no exato lugar a que pertencem, dando ao espectador uma sensação de encerramento.

Gutierrez + Portefaix – City of Production (2008, 52′)

Direção: Laurent Gutierrez e Valérie Portefaix

Cortesia dos artistas

“City of Production” é um filme que retrata a fábrica Sung Hing – uma, entre milhares de fábricas – no Pearl River Delta, na China. Laurent Gutierrez e Valérie Portefaix são também conhecidos como MAP OFFICE, uma plataforma multidisciplinar. Trabalham em territórios físicos e imaginários usando variados meios de expressão como desenho, fotografia, vídeo, instalação, performance, além de textos literários e teóricos. O projeto é uma crítica de anomalias espaço-temporais e apresenta como os seres humanos subvertem e usam o espaço.

 

 

6ª VentoSul – Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba

Realização: Instituto Paranaense de Arte, Departamento de Artes Visuais da UnB, UFPR e Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.

Patrocínio: Eletrobras, BNDES, Petrobras, Volvo, Correios, Compagas, Tiisa e Instituto Votorantim.

Co-patrocínio: Solumax, Artesian e Itaipu.

Parceria internacional: Goethe-Institut.

Apoio: Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Paraná, Fundação Cultural de Curitiba / Prefeitura de Curitiba e Ministério das Relações Exteriores.

Apoio institucional: Japan Foundation, Acción Cultural Española, Embaixada da Espanha no Brasil / AECID, Embaixada Real da Noruega, Embaixada da Colômbia, Escritório do Governo de Québec em São Paulo, Instituto Italiano di Cultura de São Paulo e Consulado Geral da França em São Paulo